Pivô tem o prazer de apresentar a exposição coletiva “Rocambole” como parte do seu Programa Anual de Exposições, com os artistas Flora Rebollo, Thiago Barbalho e Yuli Yamagata. A proposta, que ocupa a galeria no segundo andar da instituição, é resultado do encontro e de trocas entre os artistas durante sua participação no programa de residências Pivô Pesquisa entre 2017 e 2018.

De algum modo, a forma em espiral do rocambole está presente na produção dos três artistas, tanto nas formas sinuosas dos trabalhos de Yamagata, quanto nos desenhos multicoloridos de Rebollo e Barbalho. A mostra, no entanto, não pode ser considerada “temática”. A imagem da “espiral doce” veio à tona do entrelace afetivo dos três artistas, que desenvolveram novas relações entre seus trabalhos e o espaço. Os artistas produziram boa parte das obras da exposição em um ateliê compartilhado no Pivô e o que será visto no espaço expositivo é o resultado dos diálogos e os conflitos entre suas práticas.

A sedução cromática e tátil destes trabalhos, ou o riso que podem despertar, a primeira vista, são rapidamente substituídos por uma certa sensação de desconforto. As cores ácidas dos desenhos de Barbalho; vertigem, no movimento sugerido nos desenhos de Rebollo; e pelo estranhamento, nas formas antropomórficas de Yamagata desestabilizam ao mesmo tempo em que atraem o espectador. As formas idiossincráticas criadas pelo trio, oscilam entre a doçura e o desconforto.

Rebollo e Barbalho partem do desenho para criar, cada um a sua maneira, um vocabulário visual complexo que revela uma rede de pensamentos, formas e palavras interconectadas. A matriz de suas composições pode partir desde um acaso gestual ou a vontade de testar um material, até um diagrama de formas previamente planejadas, no caso de Barbalho. Yamagata, por sua vez, realiza uma operação semelhante ao sobrepor e costurar tecidos sintéticos estampados para criar formas orgânicas que invadem o espaço ou se penduram nas paredes.

No espaço desconcertante criado pelos artistas, há trabalhos que sugerem relações com as artes aplicadas e o design. Por exemplo, Rebollo apresenta um de seus desenhos abstratos de grandes dimensões com diversas sobreposições de materiais e recursos gráficos sobre uma base no chão, como um tapete a ser olhado de cima. Enquanto Yamagata apresenta uma cortina de 4 metros em diálogo com a arquitetura, na qual são vazadas diversas formas de olhos, além de uma arara recoberta com massa de biscuit e uma série de calças jeans, desde calças infantis, até peças de tamanhos grandes, estufadas e montadas numa estrutura circular. Numa tentativa similar de lidar com a arquitetura, Barbalho retoma sua prática com o desenho, mas desta vez recobrindo uma escultura inspirada na fita de Moebius e na garrafa de Klein, que anulam as noções de espaço. A peça é instalada de modo a se fundir com espaço e coberta com hachuras, massas de cores e diversos materiais de desenho que também se espalham para as paredes e para o chão.

“Rocambole” é um projeto elaborado conjuntamente pelos próprios artistas em diálogo constante com a equipe e o espaço do Pivô. Também é uma oportunidade de experimentação, pois além de seus trabalhos mais conhecidos, pela primeira vez Yamagata realiza um trabalho em grande escala, Thiago realiza uma escultura como suporte para seus desenhos e Rebollo está fazendo pinturas.